O traficante é usuário também, aponta delegado

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A percepção de que o traficante nunca é usuário do produto que vende é falsa em relação ao crack, segundo o delegado da Polícia Federal Ildo Rosa. Ele disse que os usuários tornam-se tão dependentes que aceitam vender a droga para manter o vício. O usuário não consegue resistir e consome o estoque criando dívidas com fornecedores.
A dinâmica contribui com o aumento da criminalidade, segundo especialistas. Sem alternativa, o devedor tem dois caminhos: fazer dinheiro ou morrer.
Professor de Direito da Univali, Alceu de Oliveira Pinto afirma que o resultado são pequenos furtos, como os de CDs de carros e celulares. Se a estratégia não funciona, ele é vítima de homicídio. O delegado declara que o varejo tem como característica trabalhar com mão de obra descartável, mas, no caso do crack, o fenômeno fica ainda mais evidente.
Segundo o professor, o aumento das apreensões evidencia que as campanhas feitas pelo governo e entidades alertando sobre os males do crack não estão funcionando. Ele cita que o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), realizado pela Polícia Militar em milhares de escolas catarinenses, não atinge o público consumidor do crack. Conforme o professor, o usuário da pedra já abandonou o colégio. Para ele, o uso do crack tem muitas consequências socais. Os dependentes da droga saem do mercado de trabalho e ainda precisam de investimentos da saúde pública para o tentar se livrar do vício.